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Durante longo tempo considerei o sofrimento humano como a dimensão mais capaz de me comover. O sofrimento humano naquilo que tem de irredutível, naquilo que tem de (in)consciência, o sofrimento que que se sente infinito pela intensidade do sentir, pela capacidade  do Homem em de transformar o momento no eterno.

Durante longo tempo considerei o sofrimento humano como a dimensão mais capaz de comover. Mudei, contudo, a minha perspectiva. Hoje, a dimensão mais capaz de me comover, a mais capaz de me arrebatar, é o esforço – a força da vontade humana que permite alterar condições prévias, inerências, obviedades – a força da vontade transformadora, a persistência, a esperança, o empenho, a fé.

Há uns meses baptizámos o Miguel – e houve nesse gesto a minha pertença mais profunda. Se alguma coisa intento deixar da minha experiência de existir é talvez, e tão só, o esforço consciente de me transformar e a intenção de deixar como exemplo a mudança.

Durante longo tempo considerei o sofrimento humano como a dimensão mais capaz de me comover. Hoje o meu olhar recai sobre a renovação e sobre a beleza que advém do novo, do outro do homem que se ilumina quando nos abrimos às provas maiores – o amor, a humildade, o perdão. Morte e ressurreição.

Cristo revela-nos os nossos dois lados – o lado humano, da matéria e dos medos, o lado do sofrimento, o lado da carne, o lado das tendências e do hábitos, o lado dos desejos, das provações e da deformação – e o lado divino, do brilho e da luz, o lado da força, do amor e da leveza, o lado que transcende e se transmuta, o lado que se leva e se torna maior. O processo crístico é prova do caminho da transformação. Cristo transformou o medo em coragem, a dor em amor, o sofrimento em esperança. A experiência humana será sempre experiência de sofrimento. E também Jesus, na sua humanidade o teme:
“Pai, se for possível, afasta de mim este cálice”.
Mas Cristo vai além da sua humanidade, forjando as possibilidades da coragem e da Fé.
E ainda assim a dúvida -“Pai, porque me abandonas?”
E ainda assim o perdão – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
E, sobretudo, o amor na morte – o amor e não azanga, a raiva, a indignação. Na morte de Cristo fica o amor e a transformação.
Em cada um dos nossos dias é isso que nos é pedido – amor e transformação – o ponto do equilíbrio, o fio da navalha. A consciência do caminho nem sequer o facilita- às vezes há o humano cansaço e a sensação ilusão de tudo ser já bastante. Mas também há o amor e a luz, a iluminação. Cristo não me salva por se ter realizado. Cristo salva-me pelo exemplo da realização, pela inspiração – essa Bem-aventurança que os dias de densidade tendem a fazer desvanecer. Que haja pois consciência em cada dia, que haja foco, trabalho e esperança. Cristo é o Meu Mestre do Amor – Primeiro Mestre.

mor – Primeiro Mestre.

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